Cerca de 250 pessoas estiveram presente no 6º Encontro Internacional de Agropolos – Estratégia para o Desenvolvimento Sustentável da Agricultura Familiar. O evento, promovido pela ABIPTI, pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), entre outros parceiros, ocorreu em Guarapari (ES), de 1º a 3 de dezembro. Durante o encontro, foram debatidas experiências na gestão de agropolos dos Estados do Paraná, Goiás, Paraíba, Ceará, Espírito Santo, da cidade de Barretos (SP), da Região do Caparaó (ES) e da Alemanha e França.
As visões heterogêneas dos órgãos governamentais sobre a denominação de agropolos, que refletem nas definições e critérios de editais ou programas para a área, estiveram entre os pontos abordados. O presidente do Instituto Barretos de Tecnologia (IBT), Wanderley Mauro Dib, afirmou que os atores envolvidos com o tema não podem ficar pensando em nomenclaturas. Para Dib, o importante são os espaços para discussão como o Encontro Internacional de Agropolos. “Existe uma dinâmica natural, ninguém tem um conceito definitivo das coisas”, defendeu. Por outro lado, ele salientou que o governo elabora normas e regulamentos e a sociedade organizada precisa procurar uma aproximação com o setor governamental para que as reivindicações sociais possam ser levadas para as políticas públicas.
De acordo com Dib, a denominação agropolos surgiu de um programa elaborado pelo poder executivo. “O conceito e a definição foram debatidos à exaustão, assim como hoje é feito com os Arranjos Produtivos Locais (APLs). Então, só por que hoje se defendem os arranjos, quer dizer que o governo já esqueceu todo o trabalho que foi feito pelos agropolos? Será que daqui a um tempo não vão esquecer os APLs e aí vai surgir um terceiro nome?”, questionou o presidente do IBT.
O presidente do Instituto para o Desenvolvimento e Integração de Agropolos do Paraná (Ideia/PR), Mário Bracht, destacou que quando se fala em APL está se abordando uma questão muito genérica, sem especificação do setor; mas, quando se fala em APL do agronegócio já se tem um foco. Segundo Bracht, não basta apenas promover atividade econômica, é preciso promover a sustentabilidade da proposta. Isso significa treinamento de pessoas e comercialização dos produtos.
“Existem instituições que são radicais, frisam logo que só apóiam projetos que digam respeito a APLs. Aí você vai lá e pergunta se também cabe agropolos, e elas falam que não. Então você muda sua proposta para arranjos ou esquece o apoio”, ressalta Mauro Dib, questionando o motivo das alterações nos projetos, já que os conceitos não são os mesmos. “Por que puseram APLs? Talvez porque apareceu alguém que quis colocar a marca dele sem debater com a sociedade e com as pessoas que trabalham há anos com agropolos”, disse.
Mauro Dib também levou ao 6º Encontro a proposta do IBT que pretende que sejam destinados 2% dos recursos anuais do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) - algo em torno de R$ 100 milhões - para que os agropolos do País possam desenvolver projetos junto aos micro-produtores. “A proposta visa a fazer com que os recursos destinados pela área governamental cheguem à ponta. Não adianta falar que existe dinheiro no Banco do Brasil, pois o pequeno produtor não sabe como chegar lá e pleitear. O gerente não vai liberar os recursos sem saber qual é a lógica do negócio e se há viabilidade. Os agropolos darão suporte a esse tipo de ação, acompanhando os projetos até o fim”, explicou.
Segundo o presidente do IBT, quem vai articular a proposta junto ao governo federal é a organização Ideia Brasil, que já tem a chancela para conduzir negociações de políticas públicas, de baixo para cima, com o setor governamental.
http://www.gestaoct.org.br
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário